Tropas da Força Expedicionária Brasileira desembarcam na Itália

Em 16 de Julho de 1944, cerca de 5 mil homens da FEB - Força Expedicionária Brasileira - desembarcaram em Nápoles, na Itália. Ao todo, 23.702 brasileiros foram enviados para a 2 Guerra, com 1.900 baixas, sendo 441 de Soldados da F.E.B., 9 da F.A.B. (Força Aérea Brasileira) e aproximadamente 1.400 na Marinha mercante e militar.

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Em 16 de Julho de 1944, cerca de 5 mil homens da FEB – Força Expedicionária Brasileira – desembarcaram em Nápoles, na Itália. Ao todo, 23.702 brasileiros foram enviados para a 2 Guerra, com 1.900 baixas, sendo 441 de Soldados da F.E.B., 9 da F.A.B. (Força Aérea Brasileira) e aproximadamente 1.400 na Marinha mercante e militar.

Antecedentes

Tendo o Brasil declarado guerra as forças do eixo em 31 de Agosto de 1942, Eurico Dutra começou a organização de uma força expedicionária para auxiliar os aliados no mesmo ano que foi lançada a Operação Husky. A primeira leva da FEB (Força Expedicionária Brasileira) chegou a Nápoles em 16 de junho de 1944.

No ano de 1937 o Estado Novo foi implantado -um regime totalitário simpático ao fascismo- o que até então consistia em uma relação amigável com a Alemanha Nazista se converteu em uma série de desentendimentos diplomáticos, tendo como pivô a política varguista de integrar a colônia alemã ao país, coibindo o financiamento alemão às escolas e ainda, cortando a influencia política do nazismo através do combate direto ao partido nazista. Com relações rompidas desde meados de 1938 com a Alemanha, o Brasil passou a aproximar-se dos Estados Unidos, estreitando os laços de amizade com àquela nação e foi além, atuou em favor de um acordo de segurança continental, o qual asseguraria a proteção do continente contra qualquer ingerência externa.

Em 1941, após o ataque japonês a Pearl Harbor unidades de patrulha e soldados norte-americanos chegavam ao Brasil, tendo consentimento do governo. Após incidentes ocorridos em que submarinos alemães afundaram navios brasileiros houve protestos pela entrada do Brasil na guerra, resultando na declaração de guerra em 1942. No dia 29 de janeiro, Getúlio e Roosevelt se reuniram em Natal, para efetivarem a participação do Brasil na guerra através de uma Força Expedicionária, no dia 15 de março Getúlio aprova o envio de tropas brasileiras para combater na Europa, a FEB é criada.

A primeira leva de embarque, na qual estava incluído o Sargento Piske, saiu da Vila Militar no Rio de Janeiro às onze horas da noite do dia 29 via trem até o porto do Rio. Lá, os soldados se depararam com a visão do gigantesco navio de transporte de tropas americano General Mann. Este navio tinha capacidade de transportar mais de 6 mil homens, além de sua tripulação. Os soldados eram acomodados em galerias com uma média de 450 leitos em cada uma, na forma de beliches com quatro andares.

A viagem para a Itália

Os soldados -em geral- receberam uma folga do final do dia 27 até as 18h do dia 29, afim de resolverem seus últimos problemas antes do embarque. A ordem era clara: quem não retornasse até as 18 horas seria, invariavelmente, considerado desertor.

Embarcaram entre os dias 29 e 1 de julho. O navio ficou três dias no porto até que a totalidade dos elementos estivessem a bordo. A operação foi coberta de sigilo e os homens não tinham idéia para onde estavam sendo removidos quando os deslocamentos se iniciaram.O veterano Geraldo Moacir Marcondes Cabral descreve a viagem:

“No navio, logo de manhã, soou a campainha para a primeira refeição. O serviço estava mal organizado e só ao meio dia consegui tomar o meu café. Nas imensas filas, todos nós suávamos em bicas, tal era o calor que fazia. Quando sai do refeitório, a campainha já estava tocando o almoço. Já estava alimentado e não liguei.
A tarde entrei na fila que ainda era a do almoço, e acabei jantando às 18 horas. Nos dia seguinte foram tomadas providências e as refeições passaram a ser servidas rapidamente.

Cada um de nós recebia um cartão numerado, que ia sendo picotado a cada refeição servida. Recebemos, todos os salva-vidas, logo apelidado de “asa de morcego”, cujo uso era obrigatório.

Com tanto calor, resolvi tomar um banho, peguei o sabonete e me ensaboei, mas o chuveiro era de água do mar, foi aquela tristeza, o sabão não saia mais do corpo. Era proibido tirar água dos bebedouros (água potável) para tomar banho, não houve outro remédio, senão transgredir o regulamento, indo roubar água para completar o banho.

Depois de 14 dias de viagem, chegamos em Nápoles, indo para o vulcão extinto de Bagnoli, onde a poeira era fina como trigo e a falta d’água era uma realidade.

 O desembarque

O dia estava claro e ensolarado. Fazia calor. Os homens desembarcavam um a um, praças e oficiais carregando suas bagagens. Depois de quase 15 dias a bordo do transporte de tropas, a sensação de se pisar em terra firme foi descrita por alguns veteranos de forma curiosa. O sargento Ferdinando Piske do 6º Regimento de Infantaria, afirmou que foi “com saudade que nos despedimos do maldito ‘morcego’ e, saco “A” nas costas, fomos deixando nossa residência provisória”. O tenente Massaki Udihara , também do 6º, escreveu em seu diário que “não tive sensação alguma em pisar solo de novo. Nem aquela que se diz ter quando se pisa em solo estranho”. Estes homens estavam, afinal, em Nápoles. Era o dia 16 de julho de 1944 e os soldados do 1º Escalão da Força Expedicionária Brasileira estavam desembarcando rumo à guerra.

Saindo do porto, os soldados brasileiros entraram em contato com a miséria da guerra. O tenente Udihara desceu por volta das três horas da tarde e não pode deixar de notar a pobreza e a destruição da cidade italiana. Esta foi a impressão que mais marcou os soldados brasileiros: os efeitos da guerra junto a população civil que nada tinha a fazer, além de se lamentar. Para ele o povo era “aparentemente pobre. Crianças sujas, esfarrapadas. Expressão de desanimo, tristeza, opressão, de falta de vitalidade em quase todos. (…) Por onde passamos tudo fechado e sem vida. (…) a pobreza choca de doer e deixar meio enjoado.” Mulheres italianas com saias curtas se aglomeravam ao redor da coluna de soldados, curiosas. Era a prostituição que campeava pelas ruas em troca de comida, chocolate ou cigarros. Com a marcha a pé e com uniforme verde-oliva, os primeiros soldados foram confundidos com prisioneiros alemães. Mas o caldeirão étnico que formava a FEB bem como o distintivo Brasil no ombro revelou aos italianos serem aqueles soldados da liberdade. Em poucos minutos as pessoas passaram a mendigar por comida e cigarros, mas os brasileiros nada levavam a mão. Três dias depois do desembarque, a bandeira brasileira é hasteada na Itália.

A marcha durou cerca de uma hora até chegarem a uma estação de trem onde embarcaram.
Chegaram, cerca de 40 minutos depois já anoitecendo, a um acampamento militar na cratera de um vulcão chamado Astronia, próximo ao subúrbio napolitano de Bagnoli. O local era lindo. Cercado de montes elevados e arborizado era o primeiro acampamento da FEB. Ali ficariam cerca de dez dias: “A tropa permaneceu em Agnaro, sua primeira escala, durante cerca de 10 dias, quatro deles alimentando-se com enlatados, dormindo ao relento e a mercê das intempéries. (…) conforme havia sido combinado tudo  deveria ser fornecido pelos norte americanos e indenizado pelo Brasil (material necessário para o estacionamento da tropa). Mas nada foi providenciado, sob alegação de os oficiais não terem sido alertados para essa previsão” . Ali a tropa receberia as primeiras instruções antes de ser novamente deslocada. A partir de então, a FEB estava oficialmente incorporada ao V Exército Americano e, dentro de algumas semanas, passaria pelo seu batismo de fogo que só terminaria em abril de 1945.

Tropas brasileiras, a caminho da praia numa barcaça britânica de desembarque, acenam adeus para seus amigos ainda a bordo do navio que os trouxe para a Itália. V Exército-Leghorn, Itália – 06/10/44

Sobre um Dodge, o soldado Isaltino Ribeiro da Silva e o cabo Eduardo Ramos de Oliveira se cobrem do frio durante a campanha da FEB, na Itália

Acampamento, nas proximidades de Pisa.

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